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Entrevista a Isabel Silva - Artesã d'Estórias

  • Dec 23, 2018
  • 4 min read

Updated: Sep 28, 2022


Em que altura da tua vida descobriste que a tua paixão era a arte e porquê as histórias, as marionetas e o artesanato? R: Não existe uma data certa, desde que me lembro de mim que a criatividade estava lá. A minha paixão é a vida e a vida é feita de Histórias. A paixão pelos Bonecos começa cedo com os Robertos, os Amigos de Gaspar, a História Interminável… daí a começar a criar e trabalhar com marionetas vão muitas histórias.

Foi fácil tomares a decisão de arriscar num Movimento de Artes, o Macapi?

Foi, criar o MACAPI era uma fusão de vontades e sonhos. Era o veículo de produção independente porque era um Movimento.

Como foi teres falado com os teus pais e informá-los que ias viver da arte e para a arte?

Foi uma aventura! Na adolescência não foi fácil mas por fim correu bem.

Como surgiu a ideia de criares o teu filho Macapi em 2006? Foi muito pensado?

Não. Foi macerado em sonhos e vontades e de um momento para o outro estava a publicar o blog e a criar a minha primeira Animação do Conto com Marioneta : Tobias e As Lendas. A ideia de criar o MACAPI veio da vontade de ter uma plataforma para trabalhar, eu queria contar histórias com marionetas para a infância e assim juntei os nomes - Movimento Animação Cultural Artes Para Infância.

Em todos os grupos de teatro, companhias, escolas, o que é que tens aprendido?

A valorizar o sorriso das crianças, bem como as suas lágrimas. Não é fácil ser criança! Mas é a cereja da vida! É um privilégio oferecer sementes de crescimento.

Como foi trabalhares na Rua Augusta como Artista de Rua?

Foi uma Experiência divertida onde criava uma Lisboa colorida em aguarelas com um pequeno duende negro escondido. Conheci muita gente diferente, outros artistas...entre eles o "Marionetas" a quem comprei a minha primeira marioneta!

Tens alguma história engraçada como artista de rua, ou nos outros trabalhos? Muitas! Momentos especiais, momentos presentes, mas cada vez é mais difícil escolher uma história. Nem todas são divertidas mas todas são histórias do meu caminho e todas me têm feito amadurecer.

Consideras muito importante para a divulgação e promoção do teu trabalho o teu percurso na Festa do Avante com e sem Macapi?

Considero todas as apresentações públicas muito importantes. O palco do Avante tem um abraço especial.

Foi importante para ti e para o grupo terem participado numa Festa onde se divulgam e promovem os artistas como é a Festa do Avante? Sim, foi importante e especial. No Avante estive 3 vezes, primeiro com Hansel e Gretel, depois com o Conta-te Abril e por fim Alfanui e o Eco dos Montes. A programação do Avanteatro é uma maravilha!

Como aconteceu a primeira participação no Festival Andanças e na Festa do Avante, foram convidados ou enviaram alguma proposta?

Em ambos enviei propostas sim.

O que aprendeste de mais importante nestes últimos anos com todos os projectos em que estiveste envolvida?

Que tudo na vida está sempre em constante movimento, aceitar a impermanência e fluir como um rio!

Foi fácil ser artista de rua? O que fazias? A Rua Agusta era uma casa onde me juntava com colegas da António Arroio e Chapitô a fazer malabarismo. Quando quis ser Artista de Rua escolhi Pintar, mais tarde voltei algumas vezes e fazia Estátua Viva com Marioneta. A Rua pode ser nua e crua, é por vezes um palco difícil, mas ensina bastante!

Hoje em dia é fácil viveres do mundo do espectáculo?

Viver do Espectáculo, da Arte, do Artesanato...não é fácil, é um constante desafio na corda bamba, em termos de segurança financeira, mas em termos de satisfação profissional e pessoal é do melhor!

Como é que conseguiste ter de pé o Movimento Macapi? Custou-te terminar este projecto?

Eu comecei o MACAPI em 2006 e durante 7 anos juntei muitos amigos e colegas para dar vida a Histórias, era um Movimento em movimento. Depois aconteceram mudanças...eu vim para o Alentejo, a Ana Mendes foi para Angola, a Sofia para Ourém...e a Casa de Madeira tinha sido invadida, muito espólio perdido, roubado, destruído... Por isso em 2010 mergulhei em Residência Criativa e no fim do processo percebi claramente que o MACAPI tinha chegado ao fim da sua história e era altura de criar algo novo, assim nasceu como Artesã d'Estórias.

Que balanço fazes do teu trabalho no projecto Macapi e de todo o trabalho desenvolvido?

Um balanço positivo sem dúvida, aprendi, experimentei, arrisquei, explorei...foi muito bom!

Trabalhaste com o Encenador José Teles, estiveste na Escola António Arroio, estudaste no primeiro ano no curso Ofícios do Chapitô, o que é que aprendeste? O que ficou de importante?

Passei por tantos sítios bons! Na AA aprendi que a Arte não tem limites, no Chapitô aprendi que conceber um espectáculo é uma harmonia de 7 Ofícios! O José Teles, querido amigo, companheiro, camarada ensinou a sentir o teatro de corpo e alma! Ficaram valiosos ensinamentos que aplico em cada trabalho.

Ficou o Cine Vídeo, a Fotografia, o modelar, a cor, a cenografia... Muitos Ofícios!

Fala-me das histórias sobre a aldeia, a tua ida para aldeia e o projecto que andavas desenvolver sobre isso.

Ó d'Aldeia! Sempre quis viver no campo, perto da natureza. Em 2010 encontrei a Aldeia das Amoreiras onde o Centro de Convergência dinamizado pelo Gaia Alentejo trabalhava o projecto Aldeia de Sonho, com isto aparece o projecto Terra das Crianças e em 2012 Terra d'Abundância.

Quais são os teus projectos para o futuro? Voltar a fazer teatros de marionetas é algo que pretendes volta a fazer?

Depois de uma grande pausa para viver a Maternidade e ler muitas histórias aos meus filhos, sim claro que sim!

Quais são os teus sonhos para Portugal?

Um país à beira mar plantado! Que acorde! Seja justo! Um exemplo de dignidade é sustentabilidade!


Obrigado e continuação de bom trabalho.

Projecto Vidas e Obras

Entrevista por Pedro Marques

Correcção por Albertina Ramos

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