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Entrevista ao Actor José Boavida

  • Nov 23, 2016
  • 3 min read

Updated: Mar 1, 2021

Em 1999 participou no documentário “A Hora da Liberdade” de Emídio Rangel, em 2000 “Capitães de Abril” de Maria de Medeiros. O que é que significou para si participar na revisitação sobre a história da Revolução dos Cravos? Foi essencial para si fazer parte de dois trabalhos que mostraram a luta dos capitães e do povo que saiu à rua?

JB: Sim e acima de tudo como trabalho de actor foi gratificante pois as duas personagens que representei eram diametralmente opostas. Na hora da Liberdade tive a honra de ser apresentado no fim do documentário ao capitão de Abril que “dei” vida Bicho Beatriz que tomou o Quartel General em Lisboa. Claro que todas as personagens me deram experiência e sabedoria e deixaram-me mais atento e a uma visão mais real do que foi 25 de Abril.

Em “Liberdade 21” desempenhou o papel dum médico que tinha que fazer um parto em que o bebé tinha dado de novo a volta e precisava de acompanhamento mas no seu turno havia excesso de trabalho e a grávida foi mal analisada e esquecida, o relatório tinha sido aldrabado... Como foi representar e abordar um assunto tão delicado como este? Como lhe permitiu crescer enquanto actor e enquanto pessoa?

JB- São sempre difíceis estes papéis. Temos que nos despir e ir procurar dentro de nós sentimentos que não são os que mais queremos, mas um actor tem que representar com verdade. Quando acabamos sentimos que o trabalho está cumprido e bem feito no brilho dos olhos do público.

Participou no documentário “Herança do Silêncio” de José Meireles, uma homenagem às mulheres assassinadas e vítimas de violência doméstica. Participar numa homenagem com esta importância pela luta contra o fim da violência e pela igualdade de géneros é importante para si? O que retirou deste trabalho?

JB – Trabalhar com o meu amigo José Meireles foi um enorme prazer e esta personagem deu-me a possibilidade de conhecer uma grande actriz que é a Rita Martins que teve de suportar a violência da minha personagem. Mas denunciar estas violências é cada vez mais imperioso.

Em 2010 entra no filme “A Noite do Fim do Mundo” (RTP), sobre a eminente implementação da República. Conhecer a história do golpe ao ministro do grupo em que a sua personagem estava inserida, e viver os dias e as vidas dessas pessoas, foi importante para si? Tem algum significado ter mostrado um pouco da história recente?

JB –Estas personagens que contam as histórias e a história de Portugal são aquilo que eu chamo de um mimo para um actor Este director do Diário Notícias, o Alfredo Miranda, foi um grande presente . Espero ter cumprido, porque criei a personagem um pouco com humor e alguma irascibilidade.

Em 2005 entra no filme “Até Amanhã Camaradas” de Joaquim Leitão e obra de Manuel Tiago/Álvaro Cunhal, tal como participa numa homenagem a Álvaro Cunhal. Tem algum significado especial primeiro fazer parte da história que retracta a vida clandestina dos comunistas e por homenagear um homem que lutou bastante pela Liberdade deste país?

JB- Adorei trabalhar com o Joaquim Leitão que considero um dos melhores realizadores portugueses Fazer parte da equipa do Até amanhã camaradas fez-me lembrar a minha infância, porque também eu tenho histórias e histórias na minha família de resistência anti-fascista.

Quais são os seus sonhos para Portugal?

A poesia, a escrita surgem desde a infância se bem que não me considero poeta nem escritor. Como actor que sou gosto de contar histórias boas histórias e o meu sonho… que Portugal nunca esconda o seu sorriso.

Obrigado pelo seu tempo, votos de bom trabalho.

Projecto Vidas e Obras

Entrevista: Pedro Marques

Correcção: J.M.

27 de Julho de 2015

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