top of page

Entrevista à Comunidade Josef Stálin

  • Feb 12, 2016
  • 6 min read

O que o inspirou a estudar, e a escrever sobre o líder da União Soviética e o principal seguidor de Marx e Lenin? O intuito da comunidade é combater “as mentiras inventadas pelos anti-comunistas e oportunistas de todo o tipo.”

Meu interesse foi acadêmico, sou interessado em pesquisa e debates. Minha paixão em Filosofia é Nietzsche. Não encontrei pesquisas acadêmicas sobre Stálin, mas notei como elas são numerosas sobre Nietzsche, daí quis “inverter perspectivas”, como diz o filósofo alemão e anti-Marx por excelência. Minha geração é nietzschiana e há nietzschianos genais como Rogério Lopes e Guaracy Araújo. Eu fui aluno de José Chasin, um marxista revisionista. Eu sou muito grato a ele, pois ele desenvolveu uma forma tão extravagante de revisionismo que me marcou para sempre. Ele, indiretamente, abriu meus horizontes, vacinando-me contra o revisionismo ao praticar uma forma horrenda de revisionismo.

Para o progresso, para a aprendizagem do comunismo, da Ex-URSS e da prática das teorias de Lenin e Marx estudadas por grandes referências académicas (Jean Salén, Domenico Losurdo), quão imperioso é para si este trabalho de fundo sobre Stálin e a Verdade e sobre Marx, Lenin, Engels?

Antes de mais nada, é um trabalho científico sobre um assunto que é falado em todo lugar, mas sobre o qual ninguém nada, há raras fontes primárias, poucos sabem russo, a bibliografia brasileira não é atualizada. Eu considero, antes de mais nada, esse trabalho um trabalho divertido. Eu me divirto com o beco sem saída em que amigos acadêmicos como Rafael Freitas entram ao ouvir meus argumentos sobre Stálin e Trotsky. Eles ficam apertados. Eu considero que o PT e Lula encontrarão em breve sua superação histórico-concreta. A partir disso, há anos estou fazendo o trabalho do luto e da melancolia. Essa pesquisa faz parte dessa autocrítica à minha militância trotsquista no PT.

São diversos os autores e personalidades que escreveram sobre Stalin e que partilhou na comunidade como Grover Furr, Harpal Brar, Bill Bland, o neto de Stalin entre outros, de que forma é que a análise e o estudo que fizeram é enriquecedor para conhecer melhor o processo de luta, e de estudo de Stalin?

Na realidade, a bibliografia científica sobre o assunto Stálin disponível no Brasil é minúscula. Não enche uma estante. O assunto ainda é considerado “coisa de velhos” até por gente de partidos como o PCB. Suas obras há muito não são lidas ou reeditadas. São poucos os autores brasileiros que se arriscam a analisá-lo e um dos poucos é o meu amigo e talentoso historiador Alex Lombello Amaral, autor de Origem de Minas Gerais.

No seu blogue tem um texto que aborda as Mentiras Krushchev de que forma é que o que Krushchev teve e tem influência na opinião pública de forma geral e de algum modo em muitos camaradas de partidos comunistas? O quão prejudicial foi para a União Soviética, e para o comunismo as mentiras que foram ditas? E para o progresso dos partidos comunistas e para os países comunistas?

Ao contrário do que diz o clown Slavoj Zizek, que atualmente tem falado em Stálin, Kruschev é o momento da queda. O relatório Kruschev quase nunca é lido. Os chineses fizeram a melhor leitura, a mais científica, já nos anos 50. O relatório foi estudado pelo professor Grover Furr e é quase inteiramente falso. Isso é uma descoberta científica significativa. Isso muda tudo. Tudo que sabemos sobre a URSS precisa ser reescrito, toda a história da esquerda tem que ser reescrita. O que temos ainda é como um mapa medieval antes da descoberta da América.

Quais foram as grandes contribuições de Stalin para a Ciência, Política, Cultura, e para a reforma agrária? Através do trabalho e do esforço de Stalin e do povo que exemplos o que se pôde e pode aprender para o processo de revoluções, lutas?

Josef Stálin sistematizou as ideias de Lênin, destacou os principais conceitos e criou um manual brilhante, os Fundamentos do Leninismo. Pode-se notar que ele buscou desenvolver de forma criativa essa teoria, aplicando-a na prática. Ele definiu que o capitalismo hoje segue a lei do lucro máximo, ao contrário do passado. Isso foi bastante sensível na Copa de 2014 aqui no Brasil. Houve um grande pioneirismo em defender as minorias. Se houvesse avanço científico na URSS da época, os homossexuais também teriam seus direitos respeitados. O problema é que não havia. Mas a liberação da mulher foi um resultado notável, o movimento gay é filho do movimento feminista. Em suma: Stálin abriu alas para os modernos movimentos dos direitos civis. Sem Stálin, não existiria movimento gay hoje. O resultado foi brilhante: a derrota de Hitler abriu para uma era em que a democracia liberal tornou-se uma modalidade necessária para o capitalismo. Tanto que hoje a direita quer jogar o fascismo no colo da esquerda a qualquer custo, mesmo violentando a razão. Stálin também fez previsões do futuro: ele previu que a Alemanha e o Japão sairão do controle norte-americano mais cedo ou mais tarde.

Tem vários artigos sobre a Coreia da Norte, e sobre a revolução chinesa. O que devemos aprender sobre estes dois processos, que importância têm para o desenvolvimento da luta, e da compreensão para o caminho do comunismo, e da luta libertária para os povos?

Difícil dizer se Coreia e China são socialistas, há todo um debate. Mas há contribuições inovadoras ao marxismo que deram o maoismo e a ideia juche, há um aprendizado sobre o papel crucial do terceiro mundo no desmanche do sistema. O que se pode notar é que o capitalismo selvagem, a periferia do sistema, está toda desabando: estão em guerra civil a Ucrânia, a Síria, Líbia, Palestina, Afeganistão, Paquistão, Iraque, Mali, Nigéria, dentre outros. Esses povos da periferia não irão tolerar o horror absoluto que é a periferia do sistema, a modalidade selvagem do capitalismo. O capitalismo selvagem, periférico, irá desabar e levar todo o sistema junto nos próximos cinquenta ou cem anos.

Da revolução de Outubro, aos anos da II Guerra Mundial, da Guerra Civil de Espanha, entre outros, quais são os temas que mais o inspiram e que mais o motivam a estudar e a dar a conhecer aos camaradas e às pessoas curiosas? Tendo em conta que os teóricos, e os momentos de luta, e as revoluções que estudou e que escreveu, o que deve ser lembrado, e mais vezes falado, discutido, e evidenciado?

As utopias, em geral, me inspiram, tanto a utopia hippie quanto o socialismo utópico. No entanto, deve ser lembrado que o futuro será construído a partir das experiências do socialismo já aplicadas. Não vejo como não debater Mao, Stálin e Pol Pot, pois são sempre os autores que a direita sempre lembra para difamar a esquerda. A esquerda passou, defensivamente, a querer negá-los, mas o caminho é rebater essas críticas, estudar a história. Não se pode mais falar no marxismo sem discutir o maoísmo, pois é o pensamento que, em termos, está no poder na China. E a China é a segunda potência mundial. Até o marxismo made in China é altamente competitivo e fará falir os demais marxismos. É ciência. Isso acontecerá da mesma forma que Newton superou Ptolomeu. E lá há gente estudiosa e que reflete sobre Stálin e a história do socialismo.

Quais são os seus sonhos para o Brasil, e para Portugal e para os partidos comunistas e partidos revolucionários?

Portugal e Brasil serão muito mais próximos culturalmente e cientificamente do que são atualmente, no futuro. A enxurrada de produtos norte-americanos imposta pelo imperialismo afastou-nos em vários sentidos, mas culturalmente foi extremamente dramático. O Brasil, então, ainda é medieval, há semifeudalismo. Somos muito atrasados, mas agora o gigante acordou e o eixo do mundo irá se mexer. O Brasil de cabeça erguida trará uma comoção mundial muito mais impactante que o Vietnã. A juventude brasileira, em 2013, mostrou que não aceita mais a condição semicolonial e semifeudal e quer partir para a briga. Igualmente, Portugal irá compor, num futuro socialista, os Estados Unidos da Europa. Uma verdadeira União Socialista das Repúblicas Europeias se construirá a partir dessa UE de hoje em dia, que em breve irá fracassar. A não ser que o imperialismo esteja morto e enterrado, uma Europa unida não poderá existir.

Obrigado pelo seu tempo, votos de bom trabalho.

Projecto Vidas e Obras

Entrevista: Pedro Marques

12 de Fevereiro de 2016

Projecto Vidas e Obras

 
 
 

Comments


Recent Posts 

© 2023 by Make Some Noise. Proudly created with Wix.com

  • Facebook Clean Grey
  • Twitter Clean Grey
bottom of page