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Entrevista a João Manuel Aristides Duarte

  • May 7, 2014
  • 4 min read

Updated: Aug 20, 2021

Entrevista a João Manuel Aristides Duarte Professor e um grande conhecedor do rock português. Tem dois volumes/tomos editados sobre as memórias do rock Uma das pessoas que mais tem feito pela recolha da música rock em Portugal. Tem um livro publicado em dois tomos prefaciado por António Manuel Ribeiro e é professor. 1 - Quando nasceu a paixão pela música portuguesa e pela música rock? A minha paixão pela música nasceu em 1978, quando assisti a dois concertos de bandas portuguesas, que me marcaram: Arte & Ofício e Os Faíscas. 2 - Criou o seu blogue em Março de 2005. Foi aí que começou todo este trabalho de pesquisa, de recolha e de partilha da música rock portuguesa? Tem ideia de quantas bandas descobriu durante os seis anos em que trabalhou no blogue? A maior parte das coisas que publiquei no blogue, já as conhecia. Algumas pessoas ofereceram-me fotos e outros materiais para eu publicar. Descobri algumas bandas que desconhecia, mas não muitas. 3 - O que mais gostava ou gosta de fazer na procura de projectos, bandas, cantores/cantoras? Bandas, definitivamente 4 - Continua a partilhar músicas e bandas no facebook. Tem o mesmo reflexo e a mesma projecção da partilha no blogue?

É diferente, porque no blogue era mesmo só Rock feito em Portugal, por portugueses. No facebook publico de tudo. 5 - Tem 184530 visitas hoje no blogue, mais de um ano depois de ter parado de publicar. Sente-se orgulhoso por saber que o seu trabalho está a ser visto por uma grande número de pessoas, não só em Portugal como em vários países do Mundo? Tenho algum orgulho, mas tenho que relativizar. Mais importante é que as pessoas descubram coisas que desconheciam. 6 - Na sua opinião, em que estado se encontram a música portuguesa, as artes e a cultura? A cultura portuguesa sobre com tudo o que tem a ver com a questão da Troika. Os apoios escasseiam. Mas os criadores vão lutando contra a maré. 7 - O que será necessário para que a música, os músicos e os projectos tenham o sentido do progresso e andem sobre rodas? Mais divulgação e apoios das entidades oficiais, coisa que não está a contecer. A “bola” é mais importante. 8 - De que forma considera que o acesso à música tradicional, popular e rock poderia ser mais facilitado para toda a população? Através da divulgação em canais de TV e nas rádios. Mas é difícil, porque é uma música para minorias. 9 - Acha que esses tipos de música têm sido bem tratados e promovidos? De maneira nenhuma. 10 - Tem conhecimento do Manifesto Sobre o Estado da Música de Pedro Barroso? Se sim, concorda? Já li isso há uns anos e concordo… Até coloquei isso no meu blogue. 11 - Segundo o sítio cdgo - http://www.cdgo.com/ foi convidado para colaborar no jornal semanário Guarda Nova pelas mãos de António Pissarra. Como foi a experiência? O que é que aprendeu? Foi aí que comecei a publicar as crónicas que depois usei para escrever o livro. Conheço o director desse (já extinto) jornal há muitos anos e somos amigos… Foi uma boa experiência. 12 - Em 2009 umas afirmações sobre a PIDE fizeram-lhe estalar o verniz: achou por bem pôr os pontos nos iis e relembrar o que se passou no antes 25 de Abril. Acredita que é preciso relembrar ao povo o que se passou, o que a PIDE fazia e a ditadura em geral?

Claro que sim. Não podemos apagar a memória. 13 - Depois da Revolução têm-se conquistado liberdades ou tem-se perdido a liberdade? Conquistou-se muita coisa. Hoje, infelizmente, está a regredir-se. 14 - Como vê a situação portuguesa, nomeadamente a situação geral dos professores e do ensino? Muita má. Este Governo, como o de Sócrates trata muito mal os professores. E não sei porquê. 15 - O que é que melhorou a nível cultural e artístico? Muita coisa melhorou , desde o 25 de Abril de 1974. Pelo menos, deixou de haver censura. 16 - Considera que devia haver mais programas de música e de promoção à música portuguesa? Sem dúvida nenhuma. 17 - O que é que aprendeu com a música portuguesa? Aprendi a gostar de música e a apreciar os bons músicos. 18 - Com tantos anos dados à música terá certamente muitas histórias. Poderia partilhar connosco uma dessas histórias? Lembro-me da primeira vez que vi um homem com brinco na orelha… Hoje uma situação banal. Foi em 1978, num concerto dos Faíscas. Um dos guitarristas usava um. 19 - Concorda com o término de programas como “Câmara Clara” e “Bairro Alto” na RTP? Não concordo. Programas culturais são sempre importantes. Embora eu quase nem veja TV. 20 - Júlio Isidro, uma das pessoas que mais bandas lançou em Portugal vê-se sem programas na RTP principal porque não há dinheiro, espaço ou tempo. Isso é um paradigma da sociedade de hoje? Também é… Recordo-me bem do Júlio Isidro ter lançado muitos artistas e bandas. 21 - Ter o prefácio do seu livro escrito por uma das pessoas que está há mais tempo no rock em Portugal foi certamente uma honra para si. Como surgiu a ideia de convidar António Manuel Ribeiro? A ideia surgiu porque eu o conheço pessoalmente. Falei com ele e aceitou logo. Gosto da escrita dele, por outro lado. E foi, claro, uma honra. 22 - O livro teve o impacto que gostaria que tivesse? Sim, o 1.º Volume teve impacto bastante. Já o 2.º Volume ficou muito aquém das minhas expectativas, em termos de vendas. 23 - Acredita que esse livro possa ser um marco para a história da música, para as gerações vindouras e para as bandas referenciadas? Sem que querer vangloriar, acredito que sim. Pelo menos o 1.º Volume é uma referência, quer se queira, quer não. 24 - Fez dois tomos do livro Memórias do Rock Português. Como conseguiu encontrar tanta informação sobre bandas e cantores? Exactamente porque vivi muito desse tempo que foco nos livros. Vi muitos concertos e memorizei muitas coisas. Claro que consultei livros e algumas fontes. 25 - Quais foram os projectos que mais o surpreenderam? Esta pergunta não percebi. 26 - Quais são os seus sonhos para Portugal? Um Portugal melhor, sem a Troika a acorrentá-lo. Um Portugal onde se valorizem as pessoas pelo que são e não pelo que têm. Já era muito bom.

Obrigado pelo seu tempo. Votos de bom trabalho Projecto Vidas e Obras Entrevista por: Pedro Marques Correcção por: Fátima Simões/j amadora

20 de Fevereiro de 2013


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