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Entrevista ao Grande Guitarrista - Vítor Rua

  • Mar 6, 2014
  • 4 min read

Entrevista ao Vitor Rua músico, guitarrista, fundador dos GNR, teve a banda Telectu com o Jorge Lima Barreto, é um Mestre na guitarra, e hoje em dia toca música de protesto nua e crua, escreveu duas peças para Ópera, e para teatro. Teres passado pelos GNR foi certamente uma experiência enriquecedora. Gostavas devoltar a ter uma banda rock? Não nos moldes em que tive os GNR. Mas tenho um projecto rock desde 2007 chamado Organização. O projecto ORGANIZAÇÃO é um novo e original método depensar e revolucionar o que se convencionou tradicionalmente intitular por "banda rock". Hoje, vive-se numa era de DROMOLOGIA: uma ciência da velocidade. Múltiplas actividades gerem a nossa vida: a vida de cada um de nós afecta o todo e cada um de nós. O artista divide-se em várias artes: as Artes fundem-se, expandem-se: transdisciplinaridade. A ideia de "banda"como a que existia nos anos 1960, 1970 ou mesmo 1980 é uma relíquia do passado. Vive-se múltiplas experiências, variegadas actividades artísticas, diferentes situações musicais, participa-se em várias tipologias musicais. ORGANIZAÇÃO é o FUTURO na nova noção de "BANDA": Um grupo que não tenha formação definida. Um grupo que não tem ensaios: apenas OBRAS REALIZADAS. Um grupo que não tem datas fixas de encontros. Um grupo que não é de facto um grupo, mas sim uma colectividade de artistas dispostos a integrar um projecto de actividade revolucionária musical. Um grupo que improvisa: compõe em tempo real. Sem estruturas pré-definidas, sem saber até ao último segundo o que vai criar,o que vai compor, mas que sabe que vai produzir algo: e esse algo são coisas concretas: gravação de obras para edição em cd, dvd, etc. Realização de concertos onde o público possa assistir à criação em tempo real de Rock improvisado. Existe uma condução: alguém guia e conduz essa energia criativa e a traduz em estrutura organizada. ORGANIZAÇÃO é uma colectividade de músicos de diferentes áreas musicais, de diferentes gerações, de diferentes gostos, ideias. Não te entristece que sejas o ex-GNR para a maioria das pessoas e não o exímio guitarrista? Eu estive só 3 anos nos GNR, mas estive 30 anos com os Telectu. Actualmente, as pessoas conhecem-me mais pelos Telectu do que pelos GNR. E ao conhecerem-mecomo músico dos Telectu, conhecem muito bem o meu lado como guitarrista. Como é que se pode mudar a falta dereconhecimento para com muitos artistas com trabalho feito e importante? Há que haver uma mudança nos média. Têm de surgir melhores críticos, melhores revistas especializadas. Os jornais têm de voltar a devolver o bom jornalismo ao público em favor de um jornalismo de entretenimento pueril. Para ti a criação de instrumentos é um trabalho essencial e uma exigência criativa? Nâo. Desenhaste uma guitarra com a ajuda do Jorge Barreto. Eras capaz de desenhar alguma guitarra para mandar com ela a alguém indesejável que nos anda a destruir a vida? (Desculpa, era inevitável) Eu com aguitarra que tenho já faço isso. Por que é tens vontade de mandar todos os “políticos para o caralho”? Não gostas mesmo de nenhum político ou não encontras propostas úteis e trabalho útil de algum partido e de algum político? Portugal é medíocre em muitas coisas. A política é uma delas. Quando o Jorge Barreto te mostrou outras músicas foi como abrir-se um mundo novo? Foi importante este mudar de rumo e esta abertura para a música? Sem isso, eu não estaria aqui a ser entrevistado por ti. Com o cd de protesto esperas mudar aforma como as pessoas têm lidado com o que se está a passar em Portugal? É a minha forma de luta: musical! De que forma surgiu a tua veia psicóloga de fazeres vídeos para aconselhares o povo que te vê? Já conseguiste que muitas mulheres praticassem o Seminário da Poesia e o Síndrome do Júlio? É um estudo sociológico que eu realizo numa rede social e onde vou experimentando vários métodos de funcionamento, como o humor ou o pedagógico, aplicados em doses controladas e que vão sendo afinadas ao longo dos tempos. O feedback que obtenho é no geral positivo. Como músico passaste pela China e por Cuba, pelos melhores festivais de música improvisada por toda a Europa. Em que é que estes concertos e o facto de teres ido a Nova Iorque e teres visto grandes músicos foram importantes para a tua aprendizagem? Conhecer novas civilizações, novos costumes e tradições e o facto de conviver com os maiores músicos ou musicólogos, foram a maior aprendizagem que eu podia ter tido na vida. Que importância teve para ti o facto de teres ido à Festa do Avante? Achas que é uma festa onde os jovens e os músicos devam ir? Porquê? Acho que é a maior festa que existe em Portugal e onde aconteceram ao longo dos anos, eventos muito importantes musicais. Qual o festival ou festa que te deixou mais vontade de voltar? O Festival Música em Estrasburgo, onde foi apresentada a minha obra para orquestra, dirigida pelo Peter Rundle. Como é que surgiu o gosto pela Ópera e a vontade de escreveres peças para Ópera? O que sentes ao veres peças tuas na Roménia? O gosto pela ópera, nasceu do meu ódio pela ópera. As minhas peças são interpretadas em todo o mundo com frequência. Mas é sempre um orgulho ver-se uma peça ser interpretada noutro país. Como vês a situação da cultura e a forma como o governo a trata? É uma afronta à criação artística? Na tua opinião, o que se deve fazer para mudar este rumo? A forma como este governo destrói a cultura e os artistas, é comparável a uma espécie de holocausto. O que se deve fazer é meditar. Devia ser obrigatório a meditação nas escolas. Logo desde tenra idade. Como vês o futuro da música, da cultura e dos artistas? Sinto que temos de ser nós a fazer a nossa Arte, independentemente da forma ignóbil como somos tratados pelo país. Tens alguma história que queiras partilhar connosco? Tenho. Durante 30 anos de existência dos Telectu, nunca os jornais, Expresso, Blitz, Diário de Notícias ou Público, nos concederam uma entrevista. Quais são os teus sonhos para Portugal? Que embarquemos na mudança de paradigma. --------------------- Obrigado pelo teu tempo, votos de bom trabalho.

Projecto Vidas e Obras Entrevista: Pedro Marques Correcção: Fátima Simões

15 de Maio de 2013

 
 
 

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