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Entrevista a Rita Cardoso

  • Feb 26, 2014
  • 5 min read

Updated: Sep 22, 2021

Como é que nasceu esse teu lado prodigioso para cantares e tocares? Sempre desejaste ser artista, ou foi algo que nasceu por mero acaso?

Sempre tive muito prazer em cantar e ouvir música, não é questão de desejar ou não desejar ser algo, é natural, não é opcional. Quando era pequena tocava melodias de ouvido num orgão pequenino da Casio; depois peguei na viola por causa de um livro com acordes, que o meu pai me deu, de músicas dos Guns N’ Roses, banda que eu adorava. Como tinha coisas para dizer fui fazendo músicas e a música afigurou-se-me como a melhor ou mais fácil forma de expressão.

Que memórias tens do início da tua carreira? Foi fácil?

Não considero isto uma carreira, carreiras implicam continuidade. Isto é mais um percurso com alguns buracos negros de tempo pelo meio, aparições e desaparições aqui e ali e não muita visibilidade pública. Foi fácil, sim, ao início é sempre tudo bonito, depois é que pode descambar. Toquei onde me propus tocar, tive uma banda rock através de um anúncio que pus no Blitz, os Videosnuff; fui à Chuva de Estrelas duas vezes, experiências muito giras. Em 2000 foi quando comecei a tocar ao vivo a solo, candidatei-me a concursos de bandas de música moderna e foi sempre muito bom. Ganhei a V Audição de Jovens Músicos e o Termómetro Unplugged em 2000. A partir daí houve possibilidade de gravar um disco com a Sony Music, coisa que não aconteceu porque eu queria o disco assim e a editora queria assado.

Estavas à espera de obter um primeiro lugar, um segundo lugar, um prémio de revelação? O que significam para ti estas conquistas?

Tanto esperava ganhar como não ganhar. Acreditava no que estava a fazer, por isso a desaprovação do juri não me ia abanar lá muito a espinha. Ganhar prémios, além dos monetários e materiais, significou que o juri reconheceu ali alguma coisa nova e pertinente e isso foi agradável. Surgiram convites para tocar em Paredes de Coura, Sudoeste, Fnacs e etc.

O facto de trabalhares num centro comercial inspira-te para escreveres as tuas letras?

Claro, tem de ser. Além da música “Bem vindo ao Colombo” saem-me uns desenhos tipo BD ou cartoon alusivos a todo o comércio do parlapié, porque é sobretudo esse o comércio ali, o do diálogo, e escrevo textos também. Tudo o que meta absurdez e gente a relacionar-se é matéria para criar seja o que for. Todos os trabalhos que tive e não tive dão pano para mangas se houver agulha para isso.

Consideras que o público em geral percebe as tuas letras, a tua mensagem?

Alguma coisa há de perceber mesmo que não perceba a minha intenção original; cada um tira dali o que lhe dá jeito. As pessoas arranjam sempre maneira de encontrar sentido no que percepcionam. Se lhes aparece à frente um escrito qualquer com intenção aleatória lá vão elas interpretar aquilo de alguma forma: a forma que mais lhes convém.

Como surgiu a ideia para a personagem da Fadista Gótica? Surgiu logo para a apresentares no Festival Alternativo da Canção? Quando surgiu a personagem já tinhas escrito a letra – Nas Bordas Duma Cigana?

A Cátia Alexandra era uma personagem de um blog que eu tinha, assinava com esse nome. Fiz um post com a letra “Nas bordas duma cigana” e pedi aos leitores para musicarem aquilo. Ninguém musicou, até porque o blog devia ter 4 ou 5 leitores. Então musiquei eu e pus lá o fado no blog. Quando quis participar no Festival Alternativo da Canção lembrei-me dessa música, só faltava uma imagem visual forte e cómica e pronto, fiz-me fadista gótica.

Foi gratificante para ti teres participado no Projecto do Tiago Pereira – A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria?

Claro, deu-me a conhecer a muita gente que nunca me tinha ouvido.

Como foi participar no XVIII Festival Acaso do Grupo de Teatro o Nariz?

Gostei, público interessado, som bom e o espaço d’O Nariz é ideal para actuações ao vivo. Das duas vezes que lá fui o público mostrou-se disponível para ver e ouvir, o que é raro; os anfitriões Vitória, Pedro e António foram muito atenciosos e o Festival Acaso, a durar há 18 anos e com uma programação que nunca mais acaba, tem grande calibre.

Qual foi o festival onde mais gostaste de ter participado?

Talvez o Paredes de Coura em 2001 no Palco Jazz na Relva. Sentia-me muito bem na altura e o ambiente todo também se sentia bem, muita gente sentada no chão a assistir e à volta tudo verde. O Termómetro no Coliseu do Porto também foi fixe. O Vagos em Acústico, num auditório, foi gostoso também.

Para quando um dueto com o António Cova, denominado por Tiago Pereira como o cantor da dor de corno?

Nós já cantámos os “Artistas” no Festival Caganças mas foi uma coisa despreparada. Um dueto a sério é quando o António quiser, tipo Kenny Rogers e Sheena Easton ou então uma coisa raivosa de desamor assim para o ordinarão asneirento e forte. O António é dos casos raros de originalidade musical em Portugal, gosto muito dele.

O que gostavas de fazer ainda na música?

Gravar as coisas bem gravadas.

Gostavas de poder viver da música? O que achas que falta para que isso possa acontecer?

Não tenho esse objectivo mas se vier aí alguém dizer “Anda viver da música, podes fazer o que quiseres!” aceito para ver no que dá.

Quem quiser ouvir os teus temas onde pode ouvir e comprar cd? Novos concertos, quando e onde?

Aqui podem ouvir muitas músicas : www.soundcloud.com/rita-cardoso Se quiserem o único EP físico que tenho, “Acatisia” de 2003, mandem mail para urtigaxpto@hotmail.com ou msg via facebook: www.facebook.com/ritacardosomusica Não há concertos marcados. Enviei muitas propostas para tocar ao vivo e não me dão troco. Para ver actualidades e antiguidades vão ao facebook.

Para quando um novo cd?

Espero que em breve, quando me disponibilizarem um estúdio, músicos que saibam fazer o que não sei fazer e um produtor/arranjador/técnico. Ou, em vez disto tudo, alguém que me ajude a pôr em prática os sons que imagino, que eu sozinha com um computador à frente não me safo além do básico. Material e ideias não faltam.

Para finalizar, qual é a tua opinião sobre a falta de Ministério da Cultura e respectivos cortes totais?

Sinceramente é-me um bocado indiferente. Se se quer fazer as coisas faz-se independentemente de dinheiros institucionais. Além disso sempre se ouviu o discurso, por parte da comunidade artístico-cultural, de que não há apoios estatais suficientes. O facto de o desapoio ser cada vez maior ou total só vinca a ideia de que afinal o caminho não é esperar que longínquos Ministérios e respectivos mistérios financiem as coisas. Vejo isso como um sinal de que não é com expectativas de ajudas estatais que se deve seguir.

Parabéns pelo teu trabalho.

Obrigado pelo teu tempo, votos de bom trabalho.


Projecto Vidas e Obras

Entrevista por: Pedro Marques Corrigido por: Fátima Simões/j amadora

07 de Dezembro de 2012

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