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Entrevista à Fotógrafa Sílvia Dias

  • Feb 25, 2014
  • 7 min read

Updated: Jun 15, 2021

Quais são as tuas maiores influências? Portuguesas e estrangeiras?

- Posso dizer que é o Tim Walker e a Annie Leibovitz; são mesmo os meus fotografos de top. Claro que vou apreciando outros trabalhos e gosto muito de Man Ray e Helmut Newton.

Quando entraste no curso, quais eram os teus objectivos para o Futuro? Pensavas em trabalhar em fotografia? Ou não sonhavas que viria a ser a tua paixão?

- Nunca pensei em vir a trabalhar com fotografia, para ser sincera. Quando entrei no curso foi mesmo porque já tinha vindo a estudar artes antes e sempre gostei de pintar e desenhar. Admirava fotografias mas nunca com o intuito de a levar a sério; via-a mais como algo que eu pudesse reproduzir numa tela, por isso eu quando gostava de alguma imagem, sendo ela fotografia ou não, desenhava-a e pintava-a, a maior parte das vezes em tinta acrílica. Os meus objectivos eram dar aulas acima de tudo, pois eu sabia (e sei) que é muito muito difícil vivermos da nossa arte, pelo menos neste país... Infelizmente.

Como surgiu então, essa paixão pela fotografia?

- Foi em 2009, no meu 2º ano de faculdade. Tivemos uma disciplina chamada “Laboratório Multimédia”, que era comum e sempre a tivemos até ao final do curso mas desta vez a docente foi outra e os métodos mudaram radicalmente... A última proposta de trabalho que nos forneceu tinhamos que, obrigatóriamente, usar fotografia. A docente era fotógrafa e deu-nos umas “luzes” quanto à informação básica deste método e o resto era connosco. Pedi ao meu irmão para me arranjar uma máquina, pois eu não tinha nenhuma profissional (ou mesmo semi-profissional) e como ele já tinha usado a máquina em questão na profissão dele acabou por me ajudar na sessão, na qual ele acabou por ser o modelo. Depois desse dia eu vi que com a fotografia eu poderia criar o que quisesse e como eu bem entendesse de uma maneira simples e poderia, então, capturar essa imagem para sempre com um simples click. Foi uma benção para mim que a fotografia tivesse entrado assim na minha vida, pois eu sempre tive bastante dificuldades em transmitir para ou papel ou para a tela, aquilo que me passava na imaginação e sentia-me muitas vezes até triste por isso. Agora, consigo!

Hoje em dia os teus objectivos são os mesmos?

- Em parte sim! Continuo a querer dar aulas e faço por isso. Continuo a pintar e a desenhar porque é essa a minha formação académica e foi aqui que tudo começou a desenvolver. Como sou auto-didacta na fotografia, e quero continuar a sê-lo (pelo menos até à data), faço por aprender cada vez mais porque adorava dar aulas de fotografia mas de uma maneira livre, que deixa-se os alunos criarem à sua vontade e sem pressões. O que interessa é a criatividade e deixá-los “voar”, coisa que nunca, ou raramente, acontece nas escolas e faculdades... Algo que eu digo muito hoje em dia é que se amarem algo e quiserem aprender mais sobre ela, façam-no por vocês mesmos. Leiam, pesquisem, entrem em workshops, experimentem, experimentem e experimentem! Só assim é que erramos e aprendemos. Nas escolas, temos sempre alguém fustrado a deitar-nos abaixo e a obrigarmos a fazer trabalhos sem querermos. Tem que ser, eu sei, mas a maior parte das vezes acabamos cansados e “fartos” daquilo que outrora respiravamos.

O que é que te deu mais prazer fotografar até agora, e o que te deu menos prazer?

- Não sei. Eu gosto de tudo o que faço, desde que seja projecto pessoal, que é o que tenho sempre vindo a fazer. Só há um que não é, que foi a última sessão que eu fiz. O projecto que me deu mais prazer, ou até gozo, de fazer foi mesmo a sessão que fiz em Setembro do ano passado com o meu modelo masculino, o Jason. Eu já tinha trabalhado com ele para projectos da faculdade mas esta foi a primeira vez que era um projecto pessoal e em que ele ia estar praticamente sózinho nele. Foi a primeira vez que o vi realmente solto e à vontade! Foi fantástico trabalhar com ele, e continua a ser. Estou ansiosa para fazer a nova sessão que tenho em mente, com ele!

Quais são os teus projectos para depois de finalizares o curso? Com quem gostarias de trabalhar?

- Quero, antes de tudo, arranjar trabalho. Eu provenho de uma família humilde e como toda a gente, fazemos sacrifícios. Eu quero mesmo ajudar os meus pais. Nunca nos faltou nada e eu tenho a licenciatura graças a eles. Não foi fácil, tenho a certeza, mas tudo correu bem e não sentimos diferenças no nosso dia-a-dia. Quero dar aulas! Espero realizar esse sonho. Ouço tanta gente a queixar-se à minha volta, mesmo amigos de curso que já trabalham... Eu só preciso de um emprego que me ajude a realizar os meus sonhos e que me dê prazer em realizar! Gostaria de, finalmente, começar a ganhar algum dinheiro com a fotografia mas é sempre um passo de cada vez. Não sei com quem gostaria de trabalhar, para ser precisa! Admiro tanta gente! Gostava de trabalhar para uma revista, para começar. Fazer editioriais e aprender com isso.

Há algum projecto que tenhas em mente que não passe pela fotografia? Ou já estás completamente rendida à fotografia?

- Acho que posso dizer que estou rendida à fotografia. Mesmo que continue a pintar e a desenhar, nunca é nada (ou raramente o é) criado por mim. Posso sempre pintar algumas dos meus trabalhos mas, lá está, passa sempre pela fotografia. Gosto muito de fazer vídeo porque foi algo que aprendi no meu percurso académico, até porque o primeiro trabalho fotográfico que fiz teve que dar origem, posteriormente, a um vídeo em stop-motion e daí adveio mais uma “paixão”.

Gostavas de posar como modelo?

- Já pensei nisso mas para trabalhos pessoais de auto-retrato, porque para ser mesmo modelo não. Não sei se iria gostar e depois não tenho perfil para isso, sinceramente. Gosto mais de ficar atrás da câmera!

Sentes que vais ter facilidade em trabalhar no meio fotográfico alternativo? Achas que te vais sentir realizada a trabalhar no meio fotográfico alternativo?

- Depende do “alternativo”. Hoje em dia sempre que vejo ou leio sobre “moda alternativa” acaba sempre por ser moda gótica, punk, roqueira...e sinceramente não é algo que eu procure nem que goste pessoalmente. Só faço esse tipo de trabalhos se me pedirem e se for remunerada. O meu gosto pessoal anda à volta da moda editorial, moda conceptual, fotografia artística contemporânea e nú. Gosto de cores e luz, fotografias com vida e emoção!

Tens tido feedbacks positivos em relação aos teus trabalhos e negativos? De todos os feedbacks que tens recebido, qual consideras mais importante, e com o qual tenhas aprendido alguma coisa?

- Fico feliz por dizer que tenho mais positivos do que negativos. Ninguém está preparado para ler comentários negativos sobre o nosso trabalho, especialmente se ainda estamos a começar e a aprender. Quando falo em negativos são mesmo os comentários que não são sequer constructivos de maneira a que eu aprenda, mas temos que estar preparados para de tudo um pouco. Até hoje, ninguém faltou ao respeito para com os meus modelos. O que custumo receber acerca deles é que são bonitos e por aí, mas nada que falte ao respeito, seja de conotação positiva ou negativa. É algo que não tolero. Não gostaria que mo fizessem a mim também. Se tive algum feedback que me tocou mais e com que tenha aprendido mais, não me recordo. Para mim, são todos igualmente importantes e é sempre um orgulho e honra quando recebo!

Quais são os tipos de fotografia que ainda gostavas de trabalhar?

- Moda editorial com um toque pessoal meu sempre, claro e nú artístico ou conceptual.

Quais são para ti os melhores locais, ou cenários para fotografar?

- Ultimamente prefiro locais ao ar livre porque trabalho com luz natural. Depende muito do que tenho em mente, para ser sincera. Já trabalhei numa praia, num bosque, num local onde se faz feiras onde tem mesas de pedra e árvores, no Parque da Cidade (Porto)...

Se te convidassem para trabalhar para as Suicide Girls irias sentir-te realizada?

- Depende muito do tipo de fotografia que me pedissem para fazer. Se fosse dentro dos meus gostos, claro que sim! Há muitas modelos na Suicide Girls lindíssimas.

Quando recebes-te a proposta de fotografares para o catálogo da Estilista Kátia Teles como foi a tua reacção?

- De início não sabia que era para catálogo. Isto foi tudo feito por intermédio da modelo (Abaddon Maiden). Soube posteriormente pela estilista que seria para catálogo e claro que fiquei contente. Foi uma experiência diferente e aprendi com ela. Tenho pena que não tenha corrido como desejavamos e que tenha acontecido numa altura em que eu estava sobrelotada com entregas finais na faculdade, mas não deixou de ser uma boa experiência.

Qual é a importância dessa proposta para ti?

- Curiosamente ontem acabei de saber que quem fotografa para catálogos pede bastante dinheiro e fiquei também a saber de alguém que vai fotografar um e tem menos experiência na fotografia do que eu e vai pedir cerca de 250€ sem edição. Bom, fiquei completamente estupefacta, no minímo! Onde eu quero chegar é que com isto eu aprendi, com a estilista, em que devo de ter atenção quando se fotografa para catálogo, por exemplo, e como eu espero vir um dia a ganhar dinheiro com o que faço, já tenho esta experiência.

Que projectos tens em mente e em processo de realização?

- Tenho, pelo menos, 5 projectos pendentes. Com as aulas não tive muito tempo livre e depois tive contratempos com os modelos, pois alguns também estavam em aulas. Penso que dentro de umas semanas consigo começar a fotografar!

Novos projectos: estás a trabalhar nalgum? Ou tens algum em mente?

- Neste momento não estou a trabalhar em nenhum pois já tenho tudo apontado para quando marcar data e encontrar o local. Em mente, tenho mais dois: um de nú e o outro ainda não sei! Tenho pelo menos mais quatro modelos femininas para trabalhar comigo. Mal as aulas terminem, é tempo de pôr mãos à obra!

Obrigado e continuação de bom trabalho.


Projecto Vidas e Obras

Entrevista por: Pedro Marques

16 de Junho

Entrevista: Pedro Marques

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